Contando histórias – leitura-on-line – Diário de Santee

Livro, Gibi Online, RPG, jogos e muito mais.

Apoio de leitores garante publicação de livro dois da trilogia Diário de Santee

July12

Este post é além de qualquer outra coisa, um agradecimento.  O livro Diário de Santee – Universos Paralelos  está sendo adquirido por pessoas dispostas em várias localidades do Brasil. No último mês entregamos exemplares em Santa Catarina, Goias e muitos foram distribuídos em São Paulo.

Cada novo exemplar entregue,  garante a publicação do livro dois da trilogia intitulado Diário de Santee – Lapso do Tempo com previsão para lançamento no ultimo trimestre do ano. O que mais me alegra como autor é a resposta positiva daqueles que leêm o livro.  É o que me faz ganhar motivos para ir em frente e dar asas a minha imaginação.

Quando as primeiras idéias surgiram na minha mente e Edward Santee começou a ocupar um lugar no meu dia a dia, não imaginei que chegariamos aqui, digo no plural porque existem muitas pessoas que me ajudam e de diversas maneiras. Alguns colocam posts  nas midias sociais como Orkut, Facebook e Twitter elogiando meu trabalho como escritor ou escrevendo depoimentos com mensagens de apoio. Outros ajudam postando em seus blogs as notícias referentes as entrevistas e eventos do livro  Diário de Santee, dos quadrinhos e do RPG. E muitos adquirem um exemplar do livro.

Meus esforços no momento são para a publicação do livro dois, acredito que isto vai sedimentar firmemente a história na mente dos leitores e mostrar de maneira mais intensa e conclusiva o quanto intrigante e complexa é a trama que envolve o professor Edward Santee.  A revisão dos textos será iniciada no mês de Agosto e o livro será publicado pela Editora Beca, mesma editora do primeiro livro.

O livro está em promoção, baixamos o valor para R$ 15,00 e disponibilizamos a venda pelo Mercado Livre , o que garante uma compra segura e que pode ser até parcelado.

Caso queira colaborar com essa iniciativa cultural e chegue a adquirir um exemplar do Diário de Santee, será de imensa alegria saber sua opnião sobre a história. Para isto basta enviar um e-mail para roquefernando@roquefernando.com.br e me dizer o que achou da história. Se quiser, ao comprar um exemplar pelo Mercado Livre poderá escrever um comentário e pedir uma dedicatória do autor Roque Fernando. Será um prazer autografar seu livro.

Meu agradecimento é para todos que colaboram com a obra literária, a trilogia Diário de Santee, para minha família, minha espôsa e meus filhos, meus amigos e alunos. Para Gabriel Dualiby, Tadeu Garbes, Ricardo Bocci, Aurelio Paixão e Alvaro Salgueiro. Para o universo e para o bom Deus que sempre está olhando por todos nós.

Um grande abraço,

Roque Fernando

Enfrentando a aranha gigante – Diário de Santee

July2

Nicholas Ruffos está no vale dos índios e foi deixado na floresta para enfrentar a poderosa tequiba. Aquele que sobreviver ao veneno do terrível monstro, conseguirá voltar no tempo e alterar o sistema de coisas.

Novos quadrinhos mostram partes do livro 3 do Diário de Santee

June1

Renan Bustos…

Renan Bustos é um cientista que mergulhou numa obssessão: Viajar no tempo, transpor as barreiras dos limites impostos pela natureza. Mas, toda ação tem uma reação. Apesar de bem sucedido em seus objetivos, depois de provar a si mesmo que era capaz de tal feito, a dor em saber que as consequências eram terríveis foi insuportável para Renan…

Eva…

Essa linda garota, armada até os dentes pode se passar por um ser humano. Mas não se deixe enganar, ela é um ser artificial, construído a base da mais alta tecnologia: a nanotecnologia. Cade célula de seu corpo foi criada artificialmente e seu cérebro foi alimentado com as informações conjuntas de mais de 50 seres humanos. Ela tem uma missão, um dever. Precisa protegê-lo, ELE não pode ser ferido.  O futuro da humanidade depende dele e Eva está disposta a sacrificar sua própria existência por ELE.

Novos Livros do Diário de Santee

May5

A equipe do Diário de Santee está retomando as atividades. São dois novos livros: Lapso do Tempo (livro dois da trilogia) e Livro da Evolução (livro de RPG escrito por Gabriel Dualiby) e um novo GIBI online com os novos persongens do Diário chamado O vale dos indios .

Participe da comunidade oficial do Diário de Santee no ORKUT e siga-nos no TWITTER. Estaremos sorteando uma camiseta entre os primeiros 100 seguidores no twitter ou no facebook.

Edward Santee é o protagonista da história, um professor universitário que se vê lançado a uma realidade alternativa.O livro um, mostra a trajetória de Santee tentando entender o que está se passando em sua vida. Hostilizado pela propria família ele é preso e condenado a viver numa instituição para reabilitação mental mantida pelo exercito. Porém o exercito tem outras intenções com relação a Santee: quer descobrir porque suas digitais não constam em nenhum núcleo de inteligência e propoem a ele que trabalhe para os militares.

Santee recusa oferta e a viver  no INC (Instituto de Neurociencia e Comportamento) começam a ser perigoso. A psicologa Vanessa Gispel tenta compreender o homem que diz estar numa realidade alternativa e decide ajuda-lo a fugir, mas isto é apenas o inicio da aventura.

Entre escapadas, ilusões, e misticismo, Santee vai viver a mais espetacular aventura de sua vida. Com a ajuda Burak, um tipo de guia espiritual que vive num lugar sagrado chamado vale dos indios, o professor continuará sua busca desterminado a voltar para sua familia.

O livro dois inicia com o professor Edward Santee chegando em Rocha Azul, um condado que esconde muitos segredos. Santee procura por Flak Saramano, um médico que lhe ajudou na realidade alternativa. Ele possui outra identidade, agora ele se passa por Edgar Husselhot um fotógrafo jornalístico.

Edward  Santee conseguirá voltar para sua família? O exercito encontrará a localização de Santee?
As irmãs Vanessa e Samanta ainda correm perigo de vida?  Qual segredo está escondido nas montanhas de Rocha azul?

Embarque nessa aventura!

Três Dedos – 09

April5

– Fantástico, não acha? – a voz suave de Diana me fez sair do transe.
– Ola Diana, como está? – disse saudando a jovem arqueóloga com um aperto de mão.
– Ansiosa para viver nossa aventura.  Lembre-se, temos um encontro amanhã.
– Como posso esquecer – disse tentando ser o mais simpático possível.
– Vou pedir ao Rodrigo para lhe entregar um uniforme apropriado para exploração é preciso ser cauteloso em meio à mata.
– Agradeço sua preocupação e aguardo ansiosamente.
– Sairemos amanhã depois do café – disse Diana.
– Estarei pronto.
– Já esteve num helicóptero antes, Edgar?
– Não.
– Leve sua máquina, vai poder tirar fotos incríveis.

A manhã surgiu. O sol forte era um anuncio para  um dia calorento e seco. Diana cumpriu impecavelmente os horários e partimos com dois ajudantes, fora o piloto do helicóptero.

A vista maravilhosa me fez perceber o quanto rica era a região de Rocha Azul, uma boa parte da vegetação era inexplorada e selvagem.  Seguimos nossa rota área por mais vinte minutos até alcançarmos a região montanhosa. Numa planície, um pequeno campo de pouso construído pela equipe de Diana nos aguardava.

Desci do helicoptero. Diana falava aos berros com alguns homens vestidos em uniformes enpoeirados. Logo a frente uma equipe se dedicavam a escavar e polir pedaços de cerâmica retirados das escavações. Ao norte,  dois túneis davam acesso ao interior da montanha que possibilitava a exploração do sitio arqueológico.  A forte ventania dificultava caminhar em direção as cabanas instaladas ao redor que serviam de abrigo e armazenamento dos artefatos.

Pude contar pelo menos cinco delas, eram grandes bangalôs que podiam acondicionar dezenas de pessoas.

- Edgar venha comigo! – gritou Diana segurando nos braços de um dos ajudantes.

Afastamos-nos do ruído e da ventania entrando rapidamente na cabana central.  Lá dentro, um homem de meia idade e barba cerrada nos aguardava sentado atrás de uma mesa de madeira.

- Diana, que bom que voltou – disse o homem dando-lhe um longo abraço.
- Também estou feliz em estar de volta, temos alguma novidade? – perguntou a jovem.
- Não há como descrever o que tenho para mostrar, é preciso ver por si mesmo – disse o homem de forma entusiasta.
- Este é Edgar Husseholt – disse Diana me apresentando.
- Jonas Tamuth, ao seu dispor – respondeu o homem me saudando com um forte aperto de mão.

A tenda estava repleta de objetos rústicos feitos à mão, vindos de uma época remota. Alicates, martelos, facas, vasos e até uma serie de objetos que se parecia com instrumentos cirúrgicos distribuíam-se pelas mesas aguardando para serem catalogados.

- Acompanhem-me, e preparem seus corações – disse Jonas em tom de comando.

Saímos da tenda principal e caminhamos por uns vinte metros passando por outras duas até chegar a uma fenda natural criada no pé da montanha.

Nos primeiros passos não pude identificar os detalhes pois a claridade na gruta era muito fraca, aos poucos meus olhos foram se adaptando à baixa luminosidade e pude perceber logo á frente a presença de um grupo de pessoas reunidas ao redor de uma espécie de pedra . Eles se dedicavam a limpar delicadamente uma estrutura óssea com pinceis. Uma tarefa de extrema paciência.

Aproximamos-nos e não pude acreditar no que meus olhos presenciavam. Na mesa de pedra estava o esqueleto de um humanóide de aproximadamente dois metros e meio, de crânio alongado, seus pés e mãos possuíam apenas três dedos!

Eu e Diana olhamo-nos confusos e aturdidos perante a incrível criatura. O que seria aquilo, um ser humano? Lembrei do livro de Flak Saramano e da velha senhora que mencionara sobre o monstro, o destino se mostrava misterioso e sinistro.  Senti uma enorme falta de ar, levei as mãos ao pescoço. Olhei para Diana tentando encontrar uma maneira de pedir ajuda, mas meu corpo estremeceu e desabei ao chão.

Desconheço quanto tempo perdi os sentidos. Despertei ofegante tentando levantar-me, mas Jonas não permitiu e me empurrou vagarosamente de volta a maca disposta no chão da caverna.

- Tome um pouco – disse o homem me oferecendo uma moringa com água.

Bebi o suficiente para que meus sentidos voltassem e agradeci pelo gesto de solidariedade.

Continua…

O aquário – 08

February23

Passei o dia seguinte me dedicando a analisar o enigmático livro encontrado no apartamento de Flak Saramano, levaria um bom tempo para decifrar os hieróglifos que compunham as páginas, a única parte compreensível eram as figuras.

Semelhante a um quebra-cabeça as figuras indicavam algum tipo de segredo ou mistério escondido dentro de um suposto ser humano.

A figura do medalhão era explorada em detalhes por uma dezena das páginas, cada inscrição contida no amuleto possuía uma representação única e estava ligada intimamente com o conteúdo do livro. Deixei-me levar concentrado em minhas descobertas e só percebi quanto tempo fiquei confinado quando o entardecer diminuiu a luminosidade do quarto. Esfreguei os olhos e decidi tomar um banho para despertar os sentidos.

A fome me fez recordar que não havia ingerido alimento algum durante o dia todo, desci em busca de um lanche rápido que a esposa de Rodrigo preparou com toda presteza.

- Parece que não come há dois dias senhor Husselhot – disse a dona da pousada.
- Estou um tanto ansioso, me distraí com alguns afazeres e perdi a noção do tempo, estou faminto.
- Percebe-se. Se quiser outro lanche é só dizer, aproveite que a chapa da lancheira está quente.

Aceitei o convite e me senti bem satisfeito com a refeição rápida, acompanhada de café quente. Quatro dias após me instalar na pousada ainda não sabia o nome da minha anfitriã, a falta de cavalheirismo de minha parte era notável.

- Perdoe-me a intromissão, mas creio que não me recordo de seu nome – disse dirigindo a voz para a mulher que se curvava atrás do balcão tentando alcançar um pacote de papeis toalha.

- Meu nome é Clarice, mas pode me chamar de Lara – a mulher esboçou um sorriso de agradecimento.
- Cheguei exausto no primeiro dia e deixei minha educação do lado de fora, peço-lhe desculpas.
- Não há porque se preocupar, muitos hóspedes entram e saem e nem percebem a minha presença, já estou acostumada, faz parte dos negócios.
- As pessoas vivem presas dentro de si mesmas e não conseguem enxergar que está ao seu lado – disse balançando a cabeça de forma negativa.
- O homem vive de forma egocêntrica e não percebe o quanto isto afeta o resto da humanidade. – disse Lara enquanto limpava a mesa onde eu me encontrava.

- Tenho pensado muito nisto ultimamente, é preciso acontecer mudanças muito fortes em nossas vidas para que possamos enxergar certas coisas – disse levantando-me da mesa.
- Já visitou nosso aquário – disse Lara apontando para a outra extremidade do salão.
- Rodrigo comentou sobre este aquário, mas ainda não tive oportunidade de ver – disse com um meio sorriso.
- Basta caminhar até aquela porta e contornar o corredor, vai gostar muito, é no mínimo relaxante – Lara falava com orgulho.

Caminhei em direção a porta e contornei o corredor em forma de curva, depois de alguns metros já era possível escutar os motores do grande aquário. Uma parede de vidro de quatro metros quadrados exibia um pequeno espetáculo, peixes exóticos com as diversas cores, misturavam-se com cavalos marinhos, crustáceos e águas vivas. A diversidade de cores unida ao movimento era um processo hipnótico, um sentimento de paz e harmonia surgia do interior daquele pequeno paraíso e me fez lembrar o quanto estava distante de Karen e das crianças.

Continua…

O livro de Flak Saramano – 07

February21

- Vejo que encontrou algo de seu interesse – disse a senhora.
- Espero que não se incomode que eu o leve comigo.
- Creio que o dono deste livro não voltará para buscá-lo.
- Porque tanta certeza – perguntei com ar de curiosidade.
- Porque o monstro não vai deixá-lo voltar.
- De que monstro está falando?
- Do que visitava o pobre Flak todas as noites. Um dia ele o levou para sempre.

Considerando a idade avançada da velha senhora,  eu não soube bem o que dizer e resolvi deixá-la falar mais um pouco.

- Pode me descrever esse monstro?
- Lógico meu rapaz! Minha memória é ótima. O monstro é muito alto, tem três dedos e manchas na pele. Anda sempre de agasalho com capuz para esconder o rosto.
- Entendo, e o doutor não pediu ajuda para fugir do monstro?
- Eles eram amigos, mas creio que o monstro se irritou e deu fim no pobre coitado.
- E o monstro nunca mais voltou aqui?
- Nunca mais, fico triste pelo doutor Flak, depois que sua esposa faleceu ele perdeu o juízo totalmente, até o filho ele abandonou.
- Flak tem um filho? Quem cuida dele?
- Está no orfanato Trilha da Esperança, fica no lado norte da cidade.
- Agradeço a atenção – disse me despedindo da velha senhora.
- Cuidado, a partir de agora você não está seguro, o monstro pode sentir seu cheiro e encontra-lo em qualquer lugar.
- Fique tranquila, serei cuidadoso – disse deixando escapar um meio sorriso.

Sai do prédio e dirigi de volta a pousada, onde poderia analisar com mais calma o conteúdo do livro escondido no assoalho do apartamento de Flak Saramano.

Dediquei-me a folhear cada página e anotar separadamente o que os desenhos pareciam significar. Comparei o desenho do medalhão com a peça que estava comigo, eram idênticos, o que me levava a crer que eu e Flak tínhamos os mesmos propósitos ou que nossas vidas tomariam rumos semelhantes.
Quase no final das páginas percebi algo novo, uma folha estava dobrada em quatro para que coubesse no livro e continha uma figura que representava exatamente o que a velha senhora havia descrito: um monstro alto de três dedos e manchas no corpo.

Um calafrio percorreu minha espinha, o que eu pensava ser uma fantasia vinda da mente de uma velha poderia ser o motivo do desaparecimento de Flak Saramano.

Continua…

Rua Donavam – 06

February17

A parte central-leste do condado Rocha Azul era bem diferente da avenida principal repleta de lojas com vitrines sofisticadas e prédios imponentes. Dirigi com a velocidade reduzida tentando me guiar pelo mapa entregue por Rodrigo, proprietário da pousada.

A Rua Donavam era um acesso de mão única tão estreita que possibilitava apenas a passagem um veículo de por vez, a viela tinha a aparência mais próxima a um beco. Os prédios antigos e mal cuidados revelavam um abandono total. Em meio à rua estreita,  apenas alguns mendigos espalhavam papeis e vistoriavam sacolas numa grande lata de lixo em busca de pertences ou algo que lhes fosse útil.

Estacionei o carro em frente ao número 342 um tanto receoso por bloquear totalmente a rua e me apressei em avançar para o interior do prédio. Um corredor escuro dava acesso a uma escada, não havia elevadores no prédio de cinco andares e subi ofegante até o terceiro andar entre gritos e o mal-cheiro vindos dos apartamentos que hospedavam todo tipo de gente: idosos despenteados e maltrapilhos, crianças descalças e jovens usando drogas espalhavam-se entre as escadas e as portas dos apartamentos.

Tentei ignorar o que estava ao meu redor tentando imaginar porque um médico escolheria um local fétido como aquele para morar. Cheguei ao apartamento 39. bati na porta insistentemente, mas não obtive resposta. Após duas ou três tentativas, ouvi uma voz rouca atrás  de mim, que se espalhou pelo corredor:

- Ele não está mais aqui – disse a senhora que andava lentamente com um molho de chaves nas mãos.
- Olá, meu nome é Edgar, procuro por Flak Saramano – disse estendendo a mão para a senhora em cumprimento.
- O médico foi embora há três semanas, tarde demais – tive a impressão de que ela mal me enxergava
- Sou fotografo do jornal de Campbell e vim fazer uma sessão de fotos.

A velha senhora escolheu uma chave entre tantas no molho e abriu a porta que rangeu em bom som. Fez um sinal para que a seguisse e entramos no apartamento, o cheiro forte de naftalina invadia o local o que me causou um acesso de tosse. O apartamento estava vazio, uma foto na parede era o que ainda restava da presença de Flak Saramano, a mesma foto que encontrei nos arquivos da polícia. Thereza Granti Montero e  Flak Saramano juntos e felizes.

- Posso tirar algumas fotos? – perguntei à zeladora.
- Fique a vontade – estarei na porta.

Apressei-me em utilizar a câmera como pretexto para procurar alguma outra evidência ou pista que me levasse ao paradeiro do médico, porém o apartamento estava limpo. O que chamava a atenção era a grande quantidade de naftalina espalhada pelo chão do quarto e do banheiro. Depois de mais algumas investidas resolvi dar de costas e ir ao encontro da velha senhora,  quatro ou cinco passos depois  percebi que uma porção do assoalho estava solta.

Parei imediatamente e abaixei-me para conferir, uma das tabuas estava realmente solta, com a chave do carro consegui levantar a folha de madeira e para minha surpresa abaixo dela havia uma espécie de bíblia. Folheie o livro rapidamente,  era escrito numa língua desconhecida por mim.  A encadernação exibia vários desenhos e ideogramas, mas o  meu maior espanto foi encontrar o desenho do medalhão de Burak que ocupava uma página inteira.

Engoli a seco, recoloquei a tabua no lugar e voltei para a porta o mais rápido possível.

Continua…

A arqueóloga – 05

February10

Por fim, acordei com a claridade invadindo o quarto,  devo ter dormido por mais de quinze horas. Levantei-me disposto e faminto,  pois no dia anterior tinha a intenção de acordar para o jantar, lavei o rosto e procurei me trocar para participar do café da manhã.

Ao descer as escadas avancei pela recepção contornando a sala de jogos até chegar ao refeitório onde pude ouvir as gargalhadas de Rodrigo reunido com alguns hospedes.

- Ola senhor Husselholt, junte-se a nós para o café – Rodrigo agia como anfitrião.
- Pode me chamar de Edgar – disse num tom descontraído estendendo a mão para um cumprimento.
- Estes são Dennis, Peter e a senhorita Diana – disse Rodrigo me apresentando os outros hóspedes.
- Bom dia – disse fazendo um aceno de cabeça.

Sentei-me com aquelas pessoas e desfrutei do café, a fome era devoradora e agradeci aos céus por aquela refeição. A jovem Diana se apresentou como arqueóloga , Dennis e Peter como sócios de uma empresa fabricante de produtos eletrônicos.
A conversa foi descontraída e falamos de tudo um pouco, o único incomodo era quando as perguntas se dirigiam ao meu trabalho e a minha vida pessoal. Mesmo tentando ser o mais natural possível, por vezes tive a impressão que Diana percebia em mim este desconforto.

- Há quanto tempo é fotografo? – perguntou Diana.
- Cerca de quatro anos – respondi firmemente.
- Tirou fotos de alguém importante ou de uma situação inusitada nesse decorrer deste tempo.
- Não, meus trabalhos envolvem profissionais comuns, como professores e profissionais da área médica – o assunto me sufocava.
- E pretende ficar quanto tempo em Rocha Azul?
- Creio que não passará de quarenta dias.
- Gostaria de visitar as escavações que estou acompanhando? – disse Diana com um brilho nos olhos.
- É um convite muito tentador, desde que minha presença não prejudique os trabalhos eu aceito.
- Então está convidado, em dois dias vamos nos encontrar em meio à floresta, no pé de uma das montanhas mais altas desta região, onde foram encontrados resquícios do que aparentemente pode ter sido uma civilização extinta, detentora de alto nível tecnológico e cultural.
- Estão temos uma aventura pela frente – disse sorrindo.
- Se prepare Edgar, esta experiência será inesquecível – a expressão de Diana era semelhante à de uma criança quando esta preste a descobrir um segredo.

Já satisfeito, procurei me despedir de todos, agradecendo o convite da jovem arqueóloga. Caminhei de volta ao meu quarto e procurei me orientar, o que faria em primeiro lugar, como encontraria Flak Saramano?

Depois de colocar as idéias no lugar decidi procurar pelo endereço residêncial do médico, fui até a recepção e consegui uma lista telefônica de todo o condado. Concentrei minha atenção nas folhas até encontrar o endereço do doutor Saramano: R. Donavam, 342 – Centro.

Continua…

A pousada – 04

February8

A pousada era um lugar arejado e agradável, Rodrigo me ajudou com as malas levando-me até uma recepção onde sua esposa nos aguardava com um sorriso.

- Querida,  preencha a ficha do senhor Husselholt – disse Rodrigo em voz alta.

A mulher colocou os braços no balcão e disse num tom calmo:

- Olá, seja bem vindo senhor Husselholt. Rodrigo levará a bagagem até o seu quarto, quanto tempo pretende ficar?
- Creio que um mês será suficiente.
- Preciso apenas de algumas informações pessoais.

A esposa de Rodrigo me fez perguntas preenchendo uma pequena ficha que depois armazenou junto a tantas outras contidas numa caixa acrílica com separadores alfabéticos.
A identidade de Edgar Husselholt me ajudou mais uma vez, fazendo-me passar por cidadão comum e trazendo á tona as lembranças de Samanta Tifelli. Seu rosto, seu sorriso. Sem ela não seria possível encontrar Flak Saramano.

- O que o trouxe até Rocha Azul?
- Sou fotógrafo do jornal de Campbell e estou à procura de uma pessoa para uma sessão de fotos, talvez a senhora possa me ajudar.
- De quem estamos falando?
- Ele é um cirurgião e trabalha no Hospital de Rocha Azul, seu nome é Flak Saramano.

Houve um momento de silêncio, o nome de Saramano pareceu incomodar a dona da pousada. Ela continuou a preencher o restante dos papéis sem me dirigir o olhar, parecia um tanto desconfortável.

- Não me lembro deste nome, talvez seja um médico novo em Rocha Azul.
- Pelo que eu saiba, ele já esta por aqui há um tempo.
- Sinto muito, não posso lhe ajudar – disse a mulher com a voz firme – seu quarto é o trinta e seis, as chaves estão na porta, se precisar de algo utilize o interfone, desejamo-lhes uma ótima estadia.

Afastei-me da recepção em direção à escada que daria acesso ao segundo andar e ao meu quarto, toda a construção era feita em madeira maciça, aparelhada e envernizada.
 

O porte da construção trazia segurança e conforto, mas tive a impressão de que a mulher na recepção me seguia com o olhar enquanto avançava pelos degraus. O quarto impecavelmente limpo tinha além do banheiro com chuveiro, telefone, interfone, televisor e sistema de som com acesso a canais de radio. Um banho quente foi minha primeira atitude antes de pensar o que faria a seguir, a água quente me fez relaxar e me mostrou o quanto meu corpo precisava de descanso.

Decidi repousar durante algumas horas antes de iniciar minhas buscas, era necessário estar com os sentidos apurados para que meus objetivos tivessem sucesso. Algo me dizia que Flak Saramano estava bem mais próximo do que eu poderia imaginar.

Continua…

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