Contando histórias – leitura-on-line – Diário de Santee

Livro, Gibi Online, RPG, jogos e muito mais.

Três Dedos – 09

April5

– Fantástico, não acha? – a voz suave de Diana me fez sair do transe.
– Ola Diana, como está? – disse saudando a jovem arqueóloga com um aperto de mão.
– Ansiosa para viver nossa aventura.  Lembre-se, temos um encontro amanhã.
– Como posso esquecer – disse tentando ser o mais simpático possível.
– Vou pedir ao Rodrigo para lhe entregar um uniforme apropriado para exploração é preciso ser cauteloso em meio à mata.
– Agradeço sua preocupação e aguardo ansiosamente.
– Sairemos amanhã depois do café – disse Diana.
– Estarei pronto.
– Já esteve num helicóptero antes, Edgar?
– Não.
– Leve sua máquina, vai poder tirar fotos incríveis.

A manhã surgiu. O sol forte era um anuncio para  um dia calorento e seco. Diana cumpriu impecavelmente os horários e partimos com dois ajudantes, fora o piloto do helicóptero.

A vista maravilhosa me fez perceber o quanto rica era a região de Rocha Azul, uma boa parte da vegetação era inexplorada e selvagem.  Seguimos nossa rota área por mais vinte minutos até alcançarmos a região montanhosa. Numa planície, um pequeno campo de pouso construído pela equipe de Diana nos aguardava.

Desci do helicoptero. Diana falava aos berros com alguns homens vestidos em uniformes enpoeirados. Logo a frente uma equipe se dedicavam a escavar e polir pedaços de cerâmica retirados das escavações. Ao norte,  dois túneis davam acesso ao interior da montanha que possibilitava a exploração do sitio arqueológico.  A forte ventania dificultava caminhar em direção as cabanas instaladas ao redor que serviam de abrigo e armazenamento dos artefatos.

Pude contar pelo menos cinco delas, eram grandes bangalôs que podiam acondicionar dezenas de pessoas.

- Edgar venha comigo! – gritou Diana segurando nos braços de um dos ajudantes.

Afastamos-nos do ruído e da ventania entrando rapidamente na cabana central.  Lá dentro, um homem de meia idade e barba cerrada nos aguardava sentado atrás de uma mesa de madeira.

- Diana, que bom que voltou – disse o homem dando-lhe um longo abraço.
- Também estou feliz em estar de volta, temos alguma novidade? – perguntou a jovem.
- Não há como descrever o que tenho para mostrar, é preciso ver por si mesmo – disse o homem de forma entusiasta.
- Este é Edgar Husseholt – disse Diana me apresentando.
- Jonas Tamuth, ao seu dispor – respondeu o homem me saudando com um forte aperto de mão.

A tenda estava repleta de objetos rústicos feitos à mão, vindos de uma época remota. Alicates, martelos, facas, vasos e até uma serie de objetos que se parecia com instrumentos cirúrgicos distribuíam-se pelas mesas aguardando para serem catalogados.

- Acompanhem-me, e preparem seus corações – disse Jonas em tom de comando.

Saímos da tenda principal e caminhamos por uns vinte metros passando por outras duas até chegar a uma fenda natural criada no pé da montanha.

Nos primeiros passos não pude identificar os detalhes pois a claridade na gruta era muito fraca, aos poucos meus olhos foram se adaptando à baixa luminosidade e pude perceber logo á frente a presença de um grupo de pessoas reunidas ao redor de uma espécie de pedra . Eles se dedicavam a limpar delicadamente uma estrutura óssea com pinceis. Uma tarefa de extrema paciência.

Aproximamos-nos e não pude acreditar no que meus olhos presenciavam. Na mesa de pedra estava o esqueleto de um humanóide de aproximadamente dois metros e meio, de crânio alongado, seus pés e mãos possuíam apenas três dedos!

Eu e Diana olhamo-nos confusos e aturdidos perante a incrível criatura. O que seria aquilo, um ser humano? Lembrei do livro de Flak Saramano e da velha senhora que mencionara sobre o monstro, o destino se mostrava misterioso e sinistro.  Senti uma enorme falta de ar, levei as mãos ao pescoço. Olhei para Diana tentando encontrar uma maneira de pedir ajuda, mas meu corpo estremeceu e desabei ao chão.

Desconheço quanto tempo perdi os sentidos. Despertei ofegante tentando levantar-me, mas Jonas não permitiu e me empurrou vagarosamente de volta a maca disposta no chão da caverna.

- Tome um pouco – disse o homem me oferecendo uma moringa com água.

Bebi o suficiente para que meus sentidos voltassem e agradeci pelo gesto de solidariedade.

Continua…

O aquário – 08

February23

Passei o dia seguinte me dedicando a analisar o enigmático livro encontrado no apartamento de Flak Saramano, levaria um bom tempo para decifrar os hieróglifos que compunham as páginas, a única parte compreensível eram as figuras.

Semelhante a um quebra-cabeça as figuras indicavam algum tipo de segredo ou mistério escondido dentro de um suposto ser humano.

A figura do medalhão era explorada em detalhes por uma dezena das páginas, cada inscrição contida no amuleto possuía uma representação única e estava ligada intimamente com o conteúdo do livro. Deixei-me levar concentrado em minhas descobertas e só percebi quanto tempo fiquei confinado quando o entardecer diminuiu a luminosidade do quarto. Esfreguei os olhos e decidi tomar um banho para despertar os sentidos.

A fome me fez recordar que não havia ingerido alimento algum durante o dia todo, desci em busca de um lanche rápido que a esposa de Rodrigo preparou com toda presteza.

- Parece que não come há dois dias senhor Husselhot – disse a dona da pousada.
- Estou um tanto ansioso, me distraí com alguns afazeres e perdi a noção do tempo, estou faminto.
- Percebe-se. Se quiser outro lanche é só dizer, aproveite que a chapa da lancheira está quente.

Aceitei o convite e me senti bem satisfeito com a refeição rápida, acompanhada de café quente. Quatro dias após me instalar na pousada ainda não sabia o nome da minha anfitriã, a falta de cavalheirismo de minha parte era notável.

- Perdoe-me a intromissão, mas creio que não me recordo de seu nome – disse dirigindo a voz para a mulher que se curvava atrás do balcão tentando alcançar um pacote de papeis toalha.

- Meu nome é Clarice, mas pode me chamar de Lara – a mulher esboçou um sorriso de agradecimento.
- Cheguei exausto no primeiro dia e deixei minha educação do lado de fora, peço-lhe desculpas.
- Não há porque se preocupar, muitos hóspedes entram e saem e nem percebem a minha presença, já estou acostumada, faz parte dos negócios.
- As pessoas vivem presas dentro de si mesmas e não conseguem enxergar que está ao seu lado – disse balançando a cabeça de forma negativa.
- O homem vive de forma egocêntrica e não percebe o quanto isto afeta o resto da humanidade. – disse Lara enquanto limpava a mesa onde eu me encontrava.

- Tenho pensado muito nisto ultimamente, é preciso acontecer mudanças muito fortes em nossas vidas para que possamos enxergar certas coisas – disse levantando-me da mesa.
- Já visitou nosso aquário – disse Lara apontando para a outra extremidade do salão.
- Rodrigo comentou sobre este aquário, mas ainda não tive oportunidade de ver – disse com um meio sorriso.
- Basta caminhar até aquela porta e contornar o corredor, vai gostar muito, é no mínimo relaxante – Lara falava com orgulho.

Caminhei em direção a porta e contornei o corredor em forma de curva, depois de alguns metros já era possível escutar os motores do grande aquário. Uma parede de vidro de quatro metros quadrados exibia um pequeno espetáculo, peixes exóticos com as diversas cores, misturavam-se com cavalos marinhos, crustáceos e águas vivas. A diversidade de cores unida ao movimento era um processo hipnótico, um sentimento de paz e harmonia surgia do interior daquele pequeno paraíso e me fez lembrar o quanto estava distante de Karen e das crianças.

Continua…

O livro de Flak Saramano – 07

February21

- Vejo que encontrou algo de seu interesse – disse a senhora.
- Espero que não se incomode que eu o leve comigo.
- Creio que o dono deste livro não voltará para buscá-lo.
- Porque tanta certeza – perguntei com ar de curiosidade.
- Porque o monstro não vai deixá-lo voltar.
- De que monstro está falando?
- Do que visitava o pobre Flak todas as noites. Um dia ele o levou para sempre.

Considerando a idade avançada da velha senhora,  eu não soube bem o que dizer e resolvi deixá-la falar mais um pouco.

- Pode me descrever esse monstro?
- Lógico meu rapaz! Minha memória é ótima. O monstro é muito alto, tem três dedos e manchas na pele. Anda sempre de agasalho com capuz para esconder o rosto.
- Entendo, e o doutor não pediu ajuda para fugir do monstro?
- Eles eram amigos, mas creio que o monstro se irritou e deu fim no pobre coitado.
- E o monstro nunca mais voltou aqui?
- Nunca mais, fico triste pelo doutor Flak, depois que sua esposa faleceu ele perdeu o juízo totalmente, até o filho ele abandonou.
- Flak tem um filho? Quem cuida dele?
- Está no orfanato Trilha da Esperança, fica no lado norte da cidade.
- Agradeço a atenção – disse me despedindo da velha senhora.
- Cuidado, a partir de agora você não está seguro, o monstro pode sentir seu cheiro e encontra-lo em qualquer lugar.
- Fique tranquila, serei cuidadoso – disse deixando escapar um meio sorriso.

Sai do prédio e dirigi de volta a pousada, onde poderia analisar com mais calma o conteúdo do livro escondido no assoalho do apartamento de Flak Saramano.

Dediquei-me a folhear cada página e anotar separadamente o que os desenhos pareciam significar. Comparei o desenho do medalhão com a peça que estava comigo, eram idênticos, o que me levava a crer que eu e Flak tínhamos os mesmos propósitos ou que nossas vidas tomariam rumos semelhantes.
Quase no final das páginas percebi algo novo, uma folha estava dobrada em quatro para que coubesse no livro e continha uma figura que representava exatamente o que a velha senhora havia descrito: um monstro alto de três dedos e manchas no corpo.

Um calafrio percorreu minha espinha, o que eu pensava ser uma fantasia vinda da mente de uma velha poderia ser o motivo do desaparecimento de Flak Saramano.

Continua…

Rua Donavam – 06

February17

A parte central-leste do condado Rocha Azul era bem diferente da avenida principal repleta de lojas com vitrines sofisticadas e prédios imponentes. Dirigi com a velocidade reduzida tentando me guiar pelo mapa entregue por Rodrigo, proprietário da pousada.

A Rua Donavam era um acesso de mão única tão estreita que possibilitava apenas a passagem um veículo de por vez, a viela tinha a aparência mais próxima a um beco. Os prédios antigos e mal cuidados revelavam um abandono total. Em meio à rua estreita,  apenas alguns mendigos espalhavam papeis e vistoriavam sacolas numa grande lata de lixo em busca de pertences ou algo que lhes fosse útil.

Estacionei o carro em frente ao número 342 um tanto receoso por bloquear totalmente a rua e me apressei em avançar para o interior do prédio. Um corredor escuro dava acesso a uma escada, não havia elevadores no prédio de cinco andares e subi ofegante até o terceiro andar entre gritos e o mal-cheiro vindos dos apartamentos que hospedavam todo tipo de gente: idosos despenteados e maltrapilhos, crianças descalças e jovens usando drogas espalhavam-se entre as escadas e as portas dos apartamentos.

Tentei ignorar o que estava ao meu redor tentando imaginar porque um médico escolheria um local fétido como aquele para morar. Cheguei ao apartamento 39. bati na porta insistentemente, mas não obtive resposta. Após duas ou três tentativas, ouvi uma voz rouca atrás  de mim, que se espalhou pelo corredor:

- Ele não está mais aqui – disse a senhora que andava lentamente com um molho de chaves nas mãos.
- Olá, meu nome é Edgar, procuro por Flak Saramano – disse estendendo a mão para a senhora em cumprimento.
- O médico foi embora há três semanas, tarde demais – tive a impressão de que ela mal me enxergava
- Sou fotografo do jornal de Campbell e vim fazer uma sessão de fotos.

A velha senhora escolheu uma chave entre tantas no molho e abriu a porta que rangeu em bom som. Fez um sinal para que a seguisse e entramos no apartamento, o cheiro forte de naftalina invadia o local o que me causou um acesso de tosse. O apartamento estava vazio, uma foto na parede era o que ainda restava da presença de Flak Saramano, a mesma foto que encontrei nos arquivos da polícia. Thereza Granti Montero e  Flak Saramano juntos e felizes.

- Posso tirar algumas fotos? – perguntei à zeladora.
- Fique a vontade – estarei na porta.

Apressei-me em utilizar a câmera como pretexto para procurar alguma outra evidência ou pista que me levasse ao paradeiro do médico, porém o apartamento estava limpo. O que chamava a atenção era a grande quantidade de naftalina espalhada pelo chão do quarto e do banheiro. Depois de mais algumas investidas resolvi dar de costas e ir ao encontro da velha senhora,  quatro ou cinco passos depois  percebi que uma porção do assoalho estava solta.

Parei imediatamente e abaixei-me para conferir, uma das tabuas estava realmente solta, com a chave do carro consegui levantar a folha de madeira e para minha surpresa abaixo dela havia uma espécie de bíblia. Folheie o livro rapidamente,  era escrito numa língua desconhecida por mim.  A encadernação exibia vários desenhos e ideogramas, mas o  meu maior espanto foi encontrar o desenho do medalhão de Burak que ocupava uma página inteira.

Engoli a seco, recoloquei a tabua no lugar e voltei para a porta o mais rápido possível.

Continua…

A arqueóloga – 05

February10

Por fim, acordei com a claridade invadindo o quarto,  devo ter dormido por mais de quinze horas. Levantei-me disposto e faminto,  pois no dia anterior tinha a intenção de acordar para o jantar, lavei o rosto e procurei me trocar para participar do café da manhã.

Ao descer as escadas avancei pela recepção contornando a sala de jogos até chegar ao refeitório onde pude ouvir as gargalhadas de Rodrigo reunido com alguns hospedes.

- Ola senhor Husselholt, junte-se a nós para o café – Rodrigo agia como anfitrião.
- Pode me chamar de Edgar – disse num tom descontraído estendendo a mão para um cumprimento.
- Estes são Dennis, Peter e a senhorita Diana – disse Rodrigo me apresentando os outros hóspedes.
- Bom dia – disse fazendo um aceno de cabeça.

Sentei-me com aquelas pessoas e desfrutei do café, a fome era devoradora e agradeci aos céus por aquela refeição. A jovem Diana se apresentou como arqueóloga , Dennis e Peter como sócios de uma empresa fabricante de produtos eletrônicos.
A conversa foi descontraída e falamos de tudo um pouco, o único incomodo era quando as perguntas se dirigiam ao meu trabalho e a minha vida pessoal. Mesmo tentando ser o mais natural possível, por vezes tive a impressão que Diana percebia em mim este desconforto.

- Há quanto tempo é fotografo? – perguntou Diana.
- Cerca de quatro anos – respondi firmemente.
- Tirou fotos de alguém importante ou de uma situação inusitada nesse decorrer deste tempo.
- Não, meus trabalhos envolvem profissionais comuns, como professores e profissionais da área médica – o assunto me sufocava.
- E pretende ficar quanto tempo em Rocha Azul?
- Creio que não passará de quarenta dias.
- Gostaria de visitar as escavações que estou acompanhando? – disse Diana com um brilho nos olhos.
- É um convite muito tentador, desde que minha presença não prejudique os trabalhos eu aceito.
- Então está convidado, em dois dias vamos nos encontrar em meio à floresta, no pé de uma das montanhas mais altas desta região, onde foram encontrados resquícios do que aparentemente pode ter sido uma civilização extinta, detentora de alto nível tecnológico e cultural.
- Estão temos uma aventura pela frente – disse sorrindo.
- Se prepare Edgar, esta experiência será inesquecível – a expressão de Diana era semelhante à de uma criança quando esta preste a descobrir um segredo.

Já satisfeito, procurei me despedir de todos, agradecendo o convite da jovem arqueóloga. Caminhei de volta ao meu quarto e procurei me orientar, o que faria em primeiro lugar, como encontraria Flak Saramano?

Depois de colocar as idéias no lugar decidi procurar pelo endereço residêncial do médico, fui até a recepção e consegui uma lista telefônica de todo o condado. Concentrei minha atenção nas folhas até encontrar o endereço do doutor Saramano: R. Donavam, 342 – Centro.

Continua…

A pousada – 04

February8

A pousada era um lugar arejado e agradável, Rodrigo me ajudou com as malas levando-me até uma recepção onde sua esposa nos aguardava com um sorriso.

- Querida,  preencha a ficha do senhor Husselholt – disse Rodrigo em voz alta.

A mulher colocou os braços no balcão e disse num tom calmo:

- Olá, seja bem vindo senhor Husselholt. Rodrigo levará a bagagem até o seu quarto, quanto tempo pretende ficar?
- Creio que um mês será suficiente.
- Preciso apenas de algumas informações pessoais.

A esposa de Rodrigo me fez perguntas preenchendo uma pequena ficha que depois armazenou junto a tantas outras contidas numa caixa acrílica com separadores alfabéticos.
A identidade de Edgar Husselholt me ajudou mais uma vez, fazendo-me passar por cidadão comum e trazendo á tona as lembranças de Samanta Tifelli. Seu rosto, seu sorriso. Sem ela não seria possível encontrar Flak Saramano.

- O que o trouxe até Rocha Azul?
- Sou fotógrafo do jornal de Campbell e estou à procura de uma pessoa para uma sessão de fotos, talvez a senhora possa me ajudar.
- De quem estamos falando?
- Ele é um cirurgião e trabalha no Hospital de Rocha Azul, seu nome é Flak Saramano.

Houve um momento de silêncio, o nome de Saramano pareceu incomodar a dona da pousada. Ela continuou a preencher o restante dos papéis sem me dirigir o olhar, parecia um tanto desconfortável.

- Não me lembro deste nome, talvez seja um médico novo em Rocha Azul.
- Pelo que eu saiba, ele já esta por aqui há um tempo.
- Sinto muito, não posso lhe ajudar – disse a mulher com a voz firme – seu quarto é o trinta e seis, as chaves estão na porta, se precisar de algo utilize o interfone, desejamo-lhes uma ótima estadia.

Afastei-me da recepção em direção à escada que daria acesso ao segundo andar e ao meu quarto, toda a construção era feita em madeira maciça, aparelhada e envernizada.
 

O porte da construção trazia segurança e conforto, mas tive a impressão de que a mulher na recepção me seguia com o olhar enquanto avançava pelos degraus. O quarto impecavelmente limpo tinha além do banheiro com chuveiro, telefone, interfone, televisor e sistema de som com acesso a canais de radio. Um banho quente foi minha primeira atitude antes de pensar o que faria a seguir, a água quente me fez relaxar e me mostrou o quanto meu corpo precisava de descanso.

Decidi repousar durante algumas horas antes de iniciar minhas buscas, era necessário estar com os sentidos apurados para que meus objetivos tivessem sucesso. Algo me dizia que Flak Saramano estava bem mais próximo do que eu poderia imaginar.

Continua…

O povoado de Hamsa – 03

February5

Houve um momento de silêncio, o jovem ficou pensativo e acabou por me dar às costas indo em direção a mesa do computador,  ficou por lá algum tempo e retornou com um pedaço de papel na mão direita.

- Eu não deveria estar lhe entregando isto – disse o jovem estendendo a mão.
- Fez uma boa ação no dia de hoje rapaz,  fique certo disso – bati levemente em seu ombro e me afastei o mais rápido possível.

De volta ao carro me apressei em ligar para o numero escrito com tinta azul. Estava ansioso para ouvir a voz de Flak Saramano, porém minhas tentativas foram em vão,  o telefone não atendia. Fiz mais de vinte chamadas e não obtive sucesso. Na última delas deixei um recado no serviço de mensagens eletrônicas:

…Ola doutor Flak meu nome é Edgar Husselholt, fotógrafo do Jornal de Campbell, procurei pelo senhor no Hospital de Rocha Azul, gostaria de marcar um horário para uma sessão de fotos,  obrigado…

O que me restava era apenas aguardar, me dei conta de que estava faminto e exausto, precisava de um local para descansar e me alimentar. Caminhei até o ponto de táxi mais próximo em busca de informações sobre alguma hospedagem, de preferência longe do centro. Um dos taxistas – gordo e de barba mal feita – me indicou uma pousada situada a vinte quilômetros do centro que segundo ele, possuía ótimas instalações além da ótima comida caseira.

Dirigi pela estrada vicinal até o povoado de Hamsa. O contraste com a cidade era brutal, tão próximo e ao mesmo tempo tão oposto. As casas eram rudimentares e em sua maioria feitas de madeira, as moradias na verdade haviam sido construídas com a matéria prima que havia nos arredores, vinda da floresta que os cercava.

Duas pousadas recebiam turistas e clientes que buscavam a tranqüilidade do campo. Vários veículos com emblemas e logotipos comerciais espalhavam-se nos estacionamentos,  empresários e comerciantes vindos de cidades próximas utilizavam as pousadas. Estacionei o carro na primeira delas e o proprietário me recebeu ainda na porta com um largo sorriso. Ajudou-me com as malas e apertou minha mão com firmeza me saudando com boas vindas.

- Ola, meu nome é Rodrigo, seja bem vindo em nossa casa, deixe-me ajudá-lo com as malas.
- Muito prazer, sou Edgar Husselholt.

Continua…

Procurando por Flak Saramano – 02

February3

O amplo saguão de entrada continha vários sofás em couro distribuídos de forma circular.  Os televisores instalados ao redor entretiam as pessoas que aguardavam serem atentidas. Um painel digital anunciava em letras vermelhas os numeros que representavam a senha de atendimento.

O ar condicionado mantinha a temperatura agradável e todo aquele conforto trazia grande satisfação àqueles que aguardavam no centro de triagem. O edifício era bem mais admirável quando visto por dentro, o chão de mármore e as paredes impecavelmente limpas faziam inveja a outros tantos lugares que cuidavam de pessoas enfermas. Geralmente hospitais públicos ficam em construções menos privilegiadas e na maioria das vezes o enfermo sofre desde a sua chegada por falta de uma maca ou uma vaga na enfermaria.

No caso do hospital de Rocha Azul tudo era diferente, as pessoas tinham atendimento rápido, não havia doentes em macas espalhadas pelo corredor e no lugar do cheiro típico dos hospitais de grande concentração de pessoas, um leve aroma de pinho invadia todo o ambiente. Continuei caminhando até uma recepção oval e um jovem de sorriso largo me atendeu prontamente.

- Bom dia, em que posso ajudá-lo senhor?
- Olá, meu nome é Edgar Husselholt, sou fotografo jornalístico e procuro pelo cirurgião Flak Saramano – tentei ser o mais natural possível.
- Só um minuto por gentileza, vou verificar em nosso sistema.

O gentil rapaz me abandonou por algum tempo e se dedicou a procurar o nome que citei em seu computador, após alguns minutos ele retornou com ar descontraído.

- Desculpe a demora, trabalho aqui há duas semanas e não conheço todos os médicos.
- Tudo bem, eu compreendo. O doutor Saramano esta nesta unidade? – perguntei ao jovem.
- Segundo os registros o doutor Flak Saramano está afastado há três meses.
- Esta tudo bem com ele?  O doutor está doente?
- Na ficha consta que ele pediu afastamento por motivos pessoais.
- Eu preciso muito falar com ele. É um assunto familiar de muita importância, um numero do telefone já me ajudaria imensamente – esbocei um meio sorriso.
- Não tenho autorização para divulgar o telefone dos médicos.
- Meu jovem, o doutor Saramano tem uma sobrinha que está muito doente e ela quer vê-lo antes que o pior aconteça. Faça-me um favor, verifique na ficha dele. Confira o nome Thereza Granti Montero, deve constar como contato familiar. A mulher está sofrendo muito,  anote o telefone do doutor pra mim – fixei o olhar no rapaz e aguardei a sua atitude.

Continua…

A chegada em Rocha Azul – 01

January31

O final do primeiro livro da trilogia Diário de Santee chamado Universos Paralelos, termina no momento em que Edward Santee chega á entrada da cidade de Rocha Azul. Santee tem como objetivo encontrar o médico Flak Saramano. Quando esteve no vale dos índios, Edward Santee recebeu um medalhão de Burak, o espiríto da floresta. Flak Saramano possui um medalhão idêntico. Quais segredos Rocha Azul poderia esconder? Porque o médico parou repentinamente de se comunicar com sua sobrinha Thereza Granti Montero.

Santee tem um disfarce ele agora é Edgar Husselholf.

FENIX

“Não sei por quanto tempo fiquei descordado. Minha visão ainda turva dificultava o meu discernimento. Levantei-me aos poucos e tentei me orientar. O som das ondas me fez recordar o impacto da viagem e o choque contra as águas. Ouvi o som de pássaros e caminhei em direção oposta ao mar. A praia parecia inabitada.”

HOSPITAL DE ROCHA AZUL

Avancei com o carro. A estrada que conduzia até o centro comercial da cidade era bem cuidada com guias coloridas e sinalização a cada quinhentos metros. O cheiro da natureza era gratificante e por algum tempo me deixei levar pela paz que aquele lugar emanava.


Aproximadamente quinze minutos depois pude avistar o centro comercial, prédios no estilo colonial se distribuíam pela avenida principal criando uma estrutura imponente e sóbria.

Havia pessoas de todo o tipo, homens e mulheres trajando roupas elegantes se misturavam com pessoas em trajes típicos da fazenda, o trafego de veículos era intenso, admirável para uma local como aquele.

Segui com o carro através da avenida principal observando prédios, pessoas e as peculiaridades do lugar. Ocupando quase meio quarteirão, percebi um prédio de cinco andares ocupado pelas instalações do Núcleo Cirúrgico Hospitalar e Maternidade de Rocha Azul, os dizeres na fachada tinham a frase “Respeitar a singularidade de cada ser é uma tarefa quase divina”.

Tive que dirigir por mais seis quadras até encontrar um retorno e acessar o outro lado da avenida para estacionar próximo ao hospital. Antes de sair do carro pensei rapidamente num tipo de disfarce que Edgar Husselholt poderia ter para transitar pela cidade sem chamar muita atenção. Vasculhei pelo carro procurando por algum utensílio, mas não encontrei algo que me ajudasse, sai do veículo e abri o porta-malas. Agradeci silenciosamente por Samanta ter esquecido a máquina fotográfica que utilizava para fotografar as cenas dos crimes que investigava. Pendurei o equipamento no pescoço, tranquei o carro e avancei em direção a entrada principal do hospital.

Continua…

Acompanhe os episódios inéditos do livro Lapso do Tempo

January27

Você gosta de ler? O escritor Roque Fernando autor do Diário de Santee – Universos Paralelos esta escrevendo o segundo livro da trilogia chamado Lapso do Tempo aproveite e comece a ler agora mesmo!

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DESCUBRA OS SEGREDOS QUE ENVOLVEM A VIDA DE EDWARD SANTEE

Edward Santee tem uma nova identidade. Ele agora responde pelo nome de Edgar Husselholt, um fotografo jornalístico. Rocha Azul esconde o paradeiro de Flak Saramano, o médico que o operou de um apendice, supostamente num universo paralelo.

Santee continua confiante na possibilidade de voltar para o seu mundo, para a sua família. mas o indío chamado Burak poderia ajudá-lo a voltar?

Até quando Edward Santee conseguirá se esconder de seus inimigos?
John Tomazzini cumprirá seu acordo deixando de perseguir Vanessa Gispel e sua irmã Samanta Tifelli?

Porque Flak Saramano e Edward Santee receberam o mesmo tipo de medalhão das mãos de Burak?
A figura sagrada que vive no vale dos índios é uma entidade ou um ser humano? Nicholas Ruffos está morto ou vivo?

Fique atento, os episódios iniciam dia 01 de Fevereiro de 2010.

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