Três Dedos – 09
– Fantástico, não acha? – a voz suave de Diana me fez sair do transe.
– Ola Diana, como está? – disse saudando a jovem arqueóloga com um aperto de mão.
– Ansiosa para viver nossa aventura. Lembre-se, temos um encontro amanhã.
– Como posso esquecer – disse tentando ser o mais simpático possível.
– Vou pedir ao Rodrigo para lhe entregar um uniforme apropriado para exploração é preciso ser cauteloso em meio à mata.
– Agradeço sua preocupação e aguardo ansiosamente.
– Sairemos amanhã depois do café – disse Diana.
– Estarei pronto.
– Já esteve num helicóptero antes, Edgar?
– Não.
– Leve sua máquina, vai poder tirar fotos incríveis.
A manhã surgiu. O sol forte era um anuncio para um dia calorento e seco. Diana cumpriu impecavelmente os horários e partimos com dois ajudantes, fora o piloto do helicóptero.
A vista maravilhosa me fez perceber o quanto rica era a região de Rocha Azul, uma boa parte da vegetação era inexplorada e selvagem. Seguimos nossa rota área por mais vinte minutos até alcançarmos a região montanhosa. Numa planície, um pequeno campo de pouso construído pela equipe de Diana nos aguardava.
Desci do helicoptero. Diana falava aos berros com alguns homens vestidos em uniformes enpoeirados. Logo a frente uma equipe se dedicavam a escavar e polir pedaços de cerâmica retirados das escavações. Ao norte, dois túneis davam acesso ao interior da montanha que possibilitava a exploração do sitio arqueológico. A forte ventania dificultava caminhar em direção as cabanas instaladas ao redor que serviam de abrigo e armazenamento dos artefatos.
Pude contar pelo menos cinco delas, eram grandes bangalôs que podiam acondicionar dezenas de pessoas.
- Edgar venha comigo! – gritou Diana segurando nos braços de um dos ajudantes.
Afastamos-nos do ruído e da ventania entrando rapidamente na cabana central. Lá dentro, um homem de meia idade e barba cerrada nos aguardava sentado atrás de uma mesa de madeira.
- Diana, que bom que voltou – disse o homem dando-lhe um longo abraço.
- Também estou feliz em estar de volta, temos alguma novidade? – perguntou a jovem.
- Não há como descrever o que tenho para mostrar, é preciso ver por si mesmo – disse o homem de forma entusiasta.
- Este é Edgar Husseholt – disse Diana me apresentando.
- Jonas Tamuth, ao seu dispor – respondeu o homem me saudando com um forte aperto de mão.
A tenda estava repleta de objetos rústicos feitos à mão, vindos de uma época remota. Alicates, martelos, facas, vasos e até uma serie de objetos que se parecia com instrumentos cirúrgicos distribuíam-se pelas mesas aguardando para serem catalogados.
- Acompanhem-me, e preparem seus corações – disse Jonas em tom de comando.
Saímos da tenda principal e caminhamos por uns vinte metros passando por outras duas até chegar a uma fenda natural criada no pé da montanha.
Nos primeiros passos não pude identificar os detalhes pois a claridade na gruta era muito fraca, aos poucos meus olhos foram se adaptando à baixa luminosidade e pude perceber logo á frente a presença de um grupo de pessoas reunidas ao redor de uma espécie de pedra . Eles se dedicavam a limpar delicadamente uma estrutura óssea com pinceis. Uma tarefa de extrema paciência.
Aproximamos-nos e não pude acreditar no que meus olhos presenciavam. Na mesa de pedra estava o esqueleto de um humanóide de aproximadamente dois metros e meio, de crânio alongado, seus pés e mãos possuíam apenas três dedos!
Eu e Diana olhamo-nos confusos e aturdidos perante a incrível criatura. O que seria aquilo, um ser humano? Lembrei do livro de Flak Saramano e da velha senhora que mencionara sobre o monstro, o destino se mostrava misterioso e sinistro. Senti uma enorme falta de ar, levei as mãos ao pescoço. Olhei para Diana tentando encontrar uma maneira de pedir ajuda, mas meu corpo estremeceu e desabei ao chão.
Desconheço quanto tempo perdi os sentidos. Despertei ofegante tentando levantar-me, mas Jonas não permitiu e me empurrou vagarosamente de volta a maca disposta no chão da caverna.
- Tome um pouco – disse o homem me oferecendo uma moringa com água.
Bebi o suficiente para que meus sentidos voltassem e agradeci pelo gesto de solidariedade.
Continua…
Dediquei-me a folhear cada página e anotar separadamente o que os desenhos pareciam significar. Comparei o desenho do medalhão com a peça que estava comigo, eram idênticos, o que me levava a crer que eu e Flak tínhamos os mesmos propósitos ou que nossas vidas tomariam rumos semelhantes.


Duas pousadas recebiam turistas e clientes que buscavam a tranqüilidade do campo. Vários veículos com emblemas e logotipos comerciais espalhavam-se nos estacionamentos, empresários e comerciantes vindos de cidades próximas utilizavam as pousadas. Estacionei o carro na primeira delas e o proprietário me recebeu ainda na porta com um largo sorriso. Ajudou-me com as malas e apertou minha mão com firmeza me saudando com boas vindas.
